março 29, 2017

Alive Inside - Música e Memória

“O coração tem no som o seu meio de expressão,
tem na música a sua linguagem arti­stica refletida.
A música é o amor do coração na plenitude da sua efervescência,
que humaniza o pensamento abstrato.
Onde as outras artes dizem isto significa,
a música diz isto é.
(WAGNER) 

Indiscutivelmente, a música tem um significado social forte, principalmente porque 'ela provê os meios pelos quais as pessoas reconhecem identidades e lugares, e as fronteiras que as separam' (STOKES apud RIBEIRO, 2007, p.30).  

Vamos falar de Musicoterapia! 

Alive Inside, um documentário emocionante que me conquistou só pelo nome! É sem dúvida um estimulo para novos pensamentos e uma inspiração para a nossa vida.

Alive
Depois de descobrir "Alive Inside", um documentário dirigido por Michael Bennett e vencedor do prémio da audiência no Festival de Sundance em 2014 onde demonstra a capacidade da música no combate á perda de memoria em doentes com Alzaimer e demências. 

O filme questiona "o que significa estar vivo por dentro?"; "quando é que deixamos de ser humanos?"; "o que é necessário para resgatar uma vida que se dissipou?" 

A música pode despertar, evocar, provocar e fortalecer emoções no ser humano.  Ajuda a desenvolver a capacidade de atenção, a meditação e reflexão; a imaginação, a criatividade. A musicoterapia como técnica de tratamento é utilizada há milhares de anos. Porém, com o aparecimento dos fármacos, foi deixada de lado pela sociedade moderna e só voltou a ser levada a sério como factor terapêutico no final dos anos 70. Foram os EUA o país que contou com a primeira associação para impulsionar este ramo da ciência com a National Society for Musical Therapeutics (New York, 1903), fundada pela pioneira da musicoterapia, Eva Augusta Vescelius.  

Em Portugal, existe a “Associação Portuguesa de Musicoterapia”, fundada em Janeiro de 1996.  

A música é um fenómeno natural de carácter intuitivo próprio do ser humano. “Por causa da música, mas sobretudo pelo que fazemos dela, podemos dizer que o som contém em si mesmo, partículas orgânicas e semânticas com elevado potencial de comunicação (…) um fascinante sistema de comunicação” (Azevedo, 2008).  

Hoje, acredita-se que a música tem um papel importante, quer na educação geral da criança, quer na Educação Especial, ajudando a estabelecer comunicação com as pessoas com quem, através das vias tradicionais, nem sempre é fácil comunicar. Segundo Ruud (1990, p. 69): «O estímulo musical representa um canal alternativo para a comunicação, caso a pessoa não responda aos canais de comunicação normais. A Música/Canto associados ao movimento (rítmico), podem contribuir para a iniciação da fala e podem, também, criar uma estrutura no tempo que facilite a resposta motora».  

A Música acalma como também (Benenzon, 1985, p. 57): «(…) inspira coragem, nos hinos, nos cantos guerreiros das tribos primitivas. A mitologia e os textos religiosos também fazem referência a estas relações. O mito disse que Orfeu com a sua lira dominava as feras e as feras representavam simbolicamente os objectos maus sobre os quais são projectados os nossos impulsos destrutivos-agressivos».  

A musicoterapia é uma especialização científica que consagra o estudo e investigação do complexo som/ser humano, seja o som musical ou não, inclinada a procurar os elementos diagnósticos e os métodos terapêuticos do mesmo. É uma técnica de comunicação que utiliza o som, a música e o movimento como objectos intermediários, e que esses elementos pré-verbais e não-verbais permitem retroagir a comunicação a estados muito regressivos, permitindo reelaborar uma aprendizagem do doente.

Resumindo, a música está presente em todas as culturas e em todas as épocas, mostrando assim que é uma linguagem universal passando as barreiras do tempo e espaço, apesar dos variados estilos e géneros musicais.    

Agora preparem as vossas emoções! 

Eu ri e chorei, confesso! Enjoy!


Alive
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